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“71 segundos”, a façanha eternizada

junho 25, 2009

0,,11214716-EX,00Enquanto aguardava para fazer a entrevista, lembrei de uma frase que ouvi há alguns dias atrás: “Esse tempo ruim combina com nostalgia”. Logo, São Pedro não poderia ter dado uma colaboração melhor nessa terça-feira (23). Numa tarde-noite chuvosa, em Porto Alegre, foi num cantinho mais reservado da barulhenta redação- como naturalmente são as redações- da Zero Hora que o jornalista Luiz Zini Pires relembrou, com um ar quase que melancólico, daquele 26 de novembro de 2005. O dia que marcou a vida não só dos gremistas, mas de todos que de alguma maneira tem uma ligação com o retorno épico do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense a Série A.

Autor do livro “71 Segundos, O Jogo de Uma VidaA tarde em que o Grêmio jogou, ganhou e foi campeão com sete jogadores”, da L&PM, Zini acredita que “A Batalha dos Aflitos” – como foi intitulado o jogo- seja o fato mais importante da história atual do clube.  Nunca crise financeira profunda, onde própria justiça foi ao Olímpico investigar sobre o dinheiro e as demais coisas que envolviam o tricolor e seu patrocinador, o Grêmio caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e voltou de forma heróica à elite do futebol.

“Esse título da Série B, também, foi um momento muito especial, porque foi o renascimento do clube. Parece que o Grêmio recuperou as forças que o levaram a ganhar todos aqueles títulos e jogos memoráveis do passado”, diz o jornalista.

Mais do que retornar a Serie A, o Grêmio recuperou toda a paixão que a torcida tinha. Quando um time cai para a segunda divisão a torcida sente. E grande parte o abandona, porque o ele é divido em vários segmentos de torcida: tem aquele que vai sempre ao estádio; aquele que vai de vez em quando; aquele que nunca vai; aquele que se diz torcedor só porque tem que ser de um ou de outro. Num momento crítico do time muita gente começa a se afastar. Porém, quando o time se supera, faz uma jornada incrível, esses torcedores voltam, a maioria volta. Foi o que aconteceu com o tricolor gaúcho, na ótica de Zini: “Essa vitória do Grêmio lá em Recife vez com que tudo isso retornasse, essa paixão pelo Grêmio, que estava um pouco adormecida nos corações de milhares de pessoas, voltasse à tona naquele dia. Isso faz com que o clube se fortaleça mais, os torcedores comecem a vibrar mais, a ir mais ao clube”.

O livro

Para o jornalista, que ficou em Porto Alegre e assistiu pela televisão, o episódio épico tinha que entrar para a literatura. A justificativa é dada pelo fato que os jornais se perdem e na internet tem muita coisa que não é verdade. Zini conta como ocorreu a decisão: “Estava em férias, na praia do Rosa – SC, mas a ideia de escrever um livro sobre o jogo não saia da minha da cabeça. Foi, então, que encontrei o dirigente do Grêmio Alfredo Oliveira e pensei: isto é um sinal! Depois, o encontrei novamente e expus a minha ideia e ele me disse que abria o Olímpico, e eu poderia falar com quem quisesse. Daí eu topei. Quando voltei de Santa Catarina, comecei a pesquisar”.

Em um ano de pesquisas Zini conta que conversou com os protagonistas da decisão, do presidente ao porteiro do clube, além de jornalistas e torcedores. Segundo o jornalista, foi um trabalho minucioso, pois foi preciso verificar os fatos das histórias contadas. “Todos estavam interessados em dar depoimentos. Sem exceções estavam muito emocionados, muito marcados. Todos tinham uma história para contar, porque foi tão forte, tão definitivo na vida de todo mundo que eles tinham uma necessidade de contar, de dividir o que viveram. Mas, as que não fechavam uma com as outras tive que cortar”, relembra.

Dentre tantos depoimentos que ouviu, o jornalista destaca a história do vice-presidente de finanças do tricolor na ocasião, Túlio Macedo, que ficara na capital gaúcha e escutava a transmissão do jogo sozinho no Olímpico. Em dado momento, Macedo começou a circular pelo estádio e, segundo seu relato, parecia que via fantasma de ex dirigentes, ex jogadores, torcedores em meio a um silêncio ensurdecedor de um Olímpico vazio. “Parecia que naquele momento ele buscava forças do além, pedia ajuda. Para que esse além desse uma mão para o Grêmio, e o time conseguisse superar aquele momento trágico”, conta Zini. Mas outra história tocou o jornalista, numa conversa sincera o arbitro do jogo, Djalma Beltrami, abriu seu coração. Como conta o autor: “O juiz, que aparece quase no final do livro, diz que o Anderson fez aquele gol para ele. Para salvar a sua arbitragem, por consequência, sua carreira. Se o Anderson não faz aquele gol, a carreia de Beltrami ia de alguma maneira desmoronar, porque ele errou várias vezes. Ele não diz, mas sabe que errou”.

Sendo o livro de futebol mais vencido no Rio Grande do Sul e o 5º no país, Zini credita o sucesso de vendas ao fato de mostrar um episódio único na vida de um clube. Setenta e um segundos não fala só do episódio em si, traz histórias dos bastidores, de vestiário, os diálogos dos jogadores durante a partida.  Um toque de jornalismo literário, usando uma linguagem de romance, é o que diferencia a obra de Zini das demais já escritas que contam a história do clube, do jogador, de um jogo, mas se prendem aos fatos sem dar dramaticidade.  “Eu tentei de alguma forma transportar o leitor para a história. Ele se encontra em todo o livro, se vê seja com o jogador, com o dirigente, com o cara que quis dar um pau no juiz, ou cara que vai abraçar o Anderson no final. Quis escapar da mesmice da maneira que normalmente são feitos os livros sobre futebol”, justifica.

Curiosidade

Setenta e um segundos é o tempo exato entre o segundo pênalti que o goleiro Galatto defendeu e gol do título, marcado pelo craque-menino Anderson.

O jogo

Ficha técnica de Náutico x Grêmio*

Data: 26 de novembro de 2005

Local : Estádio dos Aflitos, em Recife, Pernambuco.

Náutico (0): Rodolpho, Bruno Carvalho (Miltinho), Batata, Tuca  e Ademar, Tozo (Paulinho), Cleisson, David (Romualdo) e Danilo, Paulo Matos e Kuki.

Grêmio (1): Galatto, Patrício, Domingues, Pereira e Escalona, Nunes, Sandro Goiano, Marcelo Costa e Marcel (Anderson), Ricardinho (Lucas) e Lipatin (Marcelo Oliveria).

Gol: Anderson, aos 60min51seg do segundo tempo.

Expulsões: Escalona, Patrício, Nunes e Domingues (G) e Batata (N).

Arbitragem: Djalma Beltramo (RJ), auxiliado por Hilton Moutinho Rodrigues (FIFA-RJ) e Carlos Henrique Alves de Lima (RJ).

Público: 22.353 espectadores.

Renda: R$ 302.070,00

*PIRES, Luiz Zini. 71 Segundos, O Jogo de Uma VidaA tarde em que o Grêmio jogou, ganhou e foi campeão com sete jogadores. Porto Alegre: L&PM, 2006.

Garrincha e Elza Soares:Paixão, Futebol e Música, ao extremo

junho 25, 2009
1976- Elza Soares tem um filho com Garrincha, e volta às rádios com "Malandro"

1976- Elza Soares tem um filho com Garrincha, e volta às rádios com "Malandro"

Há vários casos amorosos entre jogadores de futebol com artistas da música. Mas, nenhum foi tão intenso tanto o romance entre Elza Soares e Garrincha. Nada mais justo, então, dedicar um post exclusivo para o casal.

Elza começava a brilhar na música brasileira com o sucesso estrondoso de “Se acaso você chegasse” , samba de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins. Garrincha estava no auge de sua carreira no Botafogo e titular incontestável na Seleção. E foi numa apresentação da cantora para a Seleção, quando a delegação se preparava para a Copa do Mundo de 1962 que eles se conheceram.

Ela também viajou para o Chile, onde foi disputado o Mundial. Enquanto o gênio das pernas tortas ganhava o bicampeonato praticamente sozinho, após a contusão de Pelé na segunda partida do Brasil, a cantora encantava os convidados de um festival de música organizado paralelamente ao evento esportivo. Começava ali o conturbado relacionamento dos dois, recheado de altos e baixos na carreira de ambos. Nos 16 anos que ficaram juntos, Elza acompanhou as glórias e também a decadência de Garrincha.

A polêmica relação com o jogador virou repertório da cantora. De acordo com Beto Xavier, no livro O Futebol no País da Música, da Panda Books – já citado num post anterior-, Elza gravou duas músicas que de certa forma contam sua trajetória amorosa: Eu sou a outra, de Ricardo Galeno, e Amor Impossível, de João Roberto Kelly. O craque, também, também relevou seu lado musical, Elza gravou dois sambas escritos por Mané Garrincha: Receita de balanço e Pé redondo. Beto Xavier traz, em sua obra, a letra do primeiro samba feito pelo jogador:

“Receita de balanço é de fato um belo samba. Simples e dinanmico, que faz justiça ao título:

Vamos balançar

Cantando

Vamos balançar

Sambando

Vamos Balançar

E deixando a tristeza da vida pra lá” (p.156)

A cantora pagou um alto preço por seu amor a Garrincha: a vendagem de seus discos caiu drasticamente, shows eram cancelados por questões de segurança, ninguém a contratava. Além disso, o Anjo das Pernas Tortas (como foi chamado por Vinícius de Moraes) enfrentou as ameaças por parte do Botafogo que não aceitava seu relacionamento e muitos problemas com dinheiro, durante as várias tentativas de retornar ao seu melhor futebol.O casal tinha uma incrível facilidade para ganhar e perder dinheiro. Compraram várias casas e as perderam pagando dívidas. Todo o dinheiro arrecadado no jogo da Gratidão (o jogo de despedida de Garrincha realizado no dia 19 de dezembro de 1973), eles perderam. Tiveram um filho: Manuel Garrincha dos Santos Júnior. Mas nem o bebê pode mantê-los juntos. No dia 30 de agosto de 1977, transtornado pela bebida, Garrincha agrediu Elza e ela o abandonou. Essa não era a primeira briga dos dois por causa do álcool, mas seria a última.

Garrincha, o craque das pernas tortas, que passou por zagueiros do mundo inteiro, não conseguiu driblar o vício da bebida. E em 1983, o jogador morreu em decorrência  do alcoolismo.

Fonte: XAVIER, Beto. Futebol no páis da música. São Paulo: Panda Books, 2009.

GRE-NAL, 100 ANOS DE RIVALIDADE

junho 18, 2009

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Faltando exatamente um mês para o centenário do maior clássico de futebol do Rio Grande do Sul, o post de hoje é dedicado a história do maior clássico do Sul do país.

Em junho de 1909, o recém-fundado Sport Club Internacional procurou o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense para ser o primeiro adversário da história do colorado. Após alguns impasses o Grêmio cedeu, então a partida foi marcada para 18 de julho daquele ano. Com um público estimado em duas mil pessoas, as equipes se enfrentaram pela primeira vez, no campo da Baixada (primeiro estádio do tricolor). O placar foi avassalador: 10 x 0 para o time da casa, a maior goleada da história dos Gre-nais. Naquele domingo começava a trajetória rivalidade entre dois clubes, que, juntos, transformaram uma disputa esportiva em paixão pura.

Desde então, são 376 jogos, com vantagem do Inter: 141 vitórias coloradas contra 118 dos azuis, e 117 empates. Considerado o maior clássico do país, há quem diga que essa rivalidade é alimentada pela tradição gaúcha que divide o estado em dois – da política ao futebol. Um pouco mais contestada, existe a versão que a semelhança dos times é que dá força a rivalidade. Para David Coimbra, um precisa do outro para coexistir. “Grêmio e Inter ficam se igualando, comparando um ao outro. Como, quando o Grêmio conquistou o Mundial, a grande ânsia dos colorados era conquistar também. Em 2006, o Inter ganhou o título. Agora, os gremistas querem ganhar de novo, para passarem do rival. Mas, disputa não é só por títulos. Quando constrói um estádio, o outro precisa de um maior ainda. É isto que sustenta o futebol gaúcho”, acredita o jornalista. No livro A História dos Grenais – editora Artes e Fatos, David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza, relembram a célebre frase do ex- presidente do Grêmio Rudy Armin Petry que, já nos anos 60, admitia: “O Grêmio é grande devido à grandeza do Internacional”.

David Coimbra acredita,ainda, que a chamada gangorra, que hora coloca um em cima e outro lá embaixo, ainda existe e apimenta a rivalidade: “De certa forma existe, quando um tá muito bem o outro sempre fica por baixo, meso que não seja tão por baixo assim. Mas no atual momento que o Inter tá muito bem, os gremistas ficam desconfiados com o seu próprio time. E acontece muito isso.”

Nestes quase 100 anos de trajetória, é natural que o confronto tenha suas peleias memoráveis. O livro A História dos Grenais relembra os principais momentos da história do clássico, como: Os primeiros tempos – com destaque para o primeiro jogo (citado no início do post) e o Gre-nal 11; o Gre-nal Farroupilha; o Gre-nal dos 7×0; o Gre-nal de inauguração do Estádio Olímpico; Gre-nais em Campeonatos Brasileiros – sendo o primeiro em 1971, com vitória colorada por 1 a 0. E o de 1977, pela primeira vez o Grêmio vence o clássico pelo campeonato nacional; o Gre-nal do Século- partida válida pela semi-final do Campeonato Brasileiro de 1988; o Gre-nal dos 5 a 2; e  Gre-nal de Ronaldinho Gaúcho – lembrado até hoje, pelo chapeuzinho aplicado por Ronaldinho em Dunga.

A obra traz, também, depoimentos de jogadores, dirigentes e torcedores – alguns deles ilustres, como Luis Fernando Veríssimo. O editor-chefe do caderno de esporte da Zero Hora revela os depoimentos que mais o marcaram, foram: as histórias de Foguinho, que, segundo o jornalista, tinha uma memória muito boa. E os relatos dos jogadores do Inter da década de 70, como Claudião Duarte e Claudiomiro, colaboraram muito também. Dentre tantas estórias que ouviu, o mais curioso é que por muitas vezes o fato contato pelo jogador, não cruzava com o que havia sido publicado nos jornais e com outros depoimentos.  “Não que o cara quis mentir, mas ele confundia a sua própria história”, ressalva David.

Resultado de toda essa rivalidade? Campeão de tudo, o Internacional conquistou: o Mundial de Clubes FIFA; a Copa Libertadores da América; Copa Sul-Americana; Recopa Sul-Americana; três vezes o Brasileirão;  a Copa do Brasil;  39 vezes o Gauchão; e a Copa Dubai.Já o Grêmio foi uma vez Campeão do Mundo, e da Copa Libertadores da América em duas ocasiões. Além deu uma Recopa Sul-Americana. Também, conquistou dois Campeonatos Brasileiros e um pela Série B, quatro Copas do Brasil, uma Supercopa do Brasil, uma Copa Sul, e um Campeonato Sul – Brasileiro de Futebol de 1962. Já campeonato estadual, são 35 títulos.

Curiosidade

Entre tantas curiosidades contas no livro, está da origem da expressão Gre-nal. Ela surgiu em 1926, criada pela jornalista esportivo do Correio do Povo Ivo dos Santos Martins. Cansado de ter escrever por extenso os longos nomes dos dois clubes cada que amos se enfrentavam, inventou a famosa expressão. Antes, tentara Inter-Gre, mas seu amor pelo Grêmio falou mais alto. Diante da necessidade de colocar o tricolor à frente optou pelo definitivo Gre-nal. Alguns anos mais tarde, o ex-governador do Estado e ex-patrono do Inter Ildo Meneghetti proclamou a frase definitiva sobre o clássico:

Gre-nal é Gre-nal.

Seleções

Quando questionado sobre suas seleções da dupla, David Coimbra foi categórico:

Grêmio – Lara, Arce, Airton, Calvet, Everaldo, Noronha, Gessi, Ronaldinho, Renato Alcindo e Emerson.

Inter – Manga (maior goleiro que eu vi jogar), Claudião, Figueroa, Mauro Galvão, Oreco, Falcão, Carpeggiani, Salvador, Tesourinha, Claudiomiro e Valdomiro.

Futebol (7ª) Arte

junho 5, 2009

1983%20-%20O%20ano%20azulImagine poder rever e vivenciar de novo os momentos mais marcantes daquela grande conquista do seu time?! Os lances, histórias, fatos,… Enfim, tudo que rolou fora e dentro de campo. Documentários que narram as grandes conquistas dos clubes estão cada vez mais em alta nas telonas brasileiras. Nesta sexta-feira, 5, estreia nos cinemas de Porto Alegre “1983 – O Ano Azul, que conta a história do título mundial do Grêmio, conquistado sobre o Hamburgo, em dezembro daquele ano, com dois gols de Renato Gaúcho. Com direção de Carlos Gerbase e Augusto Mallmann, o filme traz depoimentos de Renato Portaluppi, Valdir Espinosa, De León, Tarciso, entre outros.

pop_inicialO longa-metragem do mundial não é o primeiro do tricolor, em 2006 foi lançado o Inacreditável – A batalha dos Aflitos. O documentário de Beto Souza narra a trajetória do clube gaúcho no série B, em 2005. Com ênfase no último jogo – contra o Náutico, no Estádio do Aflitos. E não poderia ter outro nome mais a apropriado para a ocasião. O Grêmio com sete homens em campo e um pênalti contra – bom, o resto da história todos já conhecem.

gigante-poster01E se o lado azul do Rio Grande eternizou nas telonas seus grandes feitos, do lado dos colorados não foi diferente. Em dezembro de 2007, exatemente um ano após conquistar o Mundial de Clubes FIFA, o Sport Clube Internacional lançou o Gigante – Como o Inter conquistou o mundo. O filme faz um apanhado da senda vitoriosa colorada, mostra desde o jogo que o Inter conquistou a vaga para Libertadores até a partida contra o Barcelona.  Com direção de Luís Augusto Fischer, o longa traz os lances principais das duas partidas no Japão, os magníficos gols dos meninos Pato e Luiz Adriano e de Adriano Gabiru, mais os depoimentos dos heróis do título, reportagens feitas no calor da hora,  imagens dos bastidores e da volta a Porto Alegre.

090401fiel_boxcorNão é só o sul do país, que transforma em filme seus grandes jogos. Recentemente, o Corinthians lançou o Fiel, uma homenagem a sua fanática torcida. Dirigido por Andrea Pasquini, o documentário mostra a relação apaixonada do torcedor corintiano com seu time tendo como pano de fundo a queda à Série B em 2007 e o retorno à Serie A em 2008.

Jogadores

peleeterno Há jogadores que também renderam bons números nas bilheterias dos cinemas de todo Brasil. Em Pelé Eterno,  do diretor Aníbal Massaini leva às telas a carreira de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos. O longa conta a vida do jogador de futebol, começando pela sua pobre e difícil infância, até os seus melhores momentos em campo e mostrando outros nunca vistos. E ainda indica detalhes sobre sua vida profissional e amorosa, além, é claro, de muitos gols e imagens de suas memoráveis jogadas em campo.

garrincha-a-estrela-solitaria-poster01Falar no rei e não lembrar de Garrincha é quase impossível. Por isto, o craque de pernas tortas também ganhou um longa-metragem: Garrincha – A Estrela Solitária. O filme, de Milton Alencar Jr., mostra a vida do jogador de futebol Garrincha, vivido por André Gonçalves. As várias facetas de “Mané Garrincha” são mostradas a partir das lembranças de pessoas que lhe foram muito próximas e o amaram de diferentes maneiras. As histórias que Elza Soares, Iraci, Sandro Moreyra e Nilton Santos viveram com Garrincha compõem uma visão multilateral de sua personalidade e de seu destino de glórias e tragédias. O filme aborda principalmente a fase ascendente da sua carreira e sua polêmica relação amorosa com a cantora Elza Soares.

O casamento de Romeu e Julieta brasileiro

maio 9, 2009

betoA nossa primeira tabelinha é com o jornalista Beto Xavier, autor de Futebol no País da Música, pela Panda Books. Resultado de 15 anos de uma pesquisa inédita, o livro traça um paralelo entre o futebol e música, as duas grandes paixões nacionais, segundo Xavier. Entrevistas com craques da bola e alguns dos principais nomes da música popular brasileira, trechos de canções e fotografias recheiam as histórias que contam a trajetória do futebol brasileiro.

Segundo o autor, o gênero que mais se identifica com o esporte é o samba. A relação com o estilo musical ocorreu de forma natural. Ambos tiveram ascensão nos anos 30.  Assim como o futebol, que para jogar basta ter um instrumento esférico, para tocar samba basta ter uma caixinha de fósforo, uma lata. Fazer samba é fácil, não querer instrumentos específicos, e assim é com futebol.

 O futebol ganhou outro campo, o da literatura

Beto Xavier, também, conversou sobre o futebol estar cada vez mais presente como objeto de pesquisas e estudos no meio acadêmico e na literatura. Para Xavier, o grande divisor de água de o futebol ser estudado e estar ai nos livros é a obra de Rui Castro sobre o Garrincha, Estrela Solitária. A partir daí o meio literário, as editoras viram que falar de futebol, clubes ou sobre algum atleta famoso também pode ser um grande filão da literatura. Hoje em qualquer livraria já tem até um setor determinado ao esporte. Aqui saem os livros do Inter e do Grêmio, como os escritos pelo Ruy Carlos Ostermann, e de alguns jogadores de futebol. Lá em São Paulo, também, de craques como Ademir da Guia e Rogério Ceni. No Rio de Janeiro, tem livro sobre o Zico.

“É muito interessante que o futebol seja objeto de estudo e também sirva de inspiração para os escritores”, diz o jornalista.

 

capa_livro.inddCristiane Serra – Beto, no teu livro, tu relacionas futebol com a música brasileira, diz que eles se casaram.Quando eles começaram a namorar e quando casaram de fato?

Beto Xavier – Na verdade, o meu livro ele diz que o futebol já nasceu casado com a música. Porque usa uma comparação, um fato: Charles Miller, que foi a pessoa responsável por introduzir o futebol no Brasil, era casado com Antonieta Rudge, que era uma eximia pianista e interprete de Chopin, isto na década de 10, começo do século passado. É apenas uma fonte para eu falar deste casamento que existe desde o começo dos anos 10 no Rio de Janeiro. Onde, havia muito choro, polca, salsa, todos esses gêneros musicais. E o futebol, também, começou a ficar famoso, a ser introduzido na sociedade. Mas o marco desta relação se deu começo dos anos 30, quando surgiu a Rádio Nacional, e o futebol se profissionalizou. Ao mesmo, tempo o samba se tornou o grande ícone, o gênero musical oficial do Brasil, com Noel Rosa, Cartola, Wilson Batista e Ary Barroso. E do lado do futebol quando surgiu os primeiros grandes craques da época, como Leônidas, Friedenreich e Perácio. Logo, não era anormal que os músicos também se inspirassem no futebol para fazer algumas músicas. E nasceram grandes composições falando de futebol naquela época.

Cristiane– Além de Jorge Benjor, que música brasileiro pode lançar uma coletânea só de músicas sobre futebol?

Beto- O Benjor é o fenômeno recente, foi a partir dos anos 60-70 que começou a tratar de futebol. Flamenguista fanático, fez talvez o maior clássico da música de futebol, a canção Fio Maravilha. Mas antes disso, alguns compositores também cantaram futebol de maneira muito importante. O sambista e flamenguista Wilson Batista, entre anos 30 e 50, tem várias músicas de futebol. O Ary Barroso, embora, não tenha feito muitas canções com o tema, tem uma ligação muito forte com esporte. Foi até locutor e repórter esportivo. Também, recentemente Moraes Moreira também pode ser incluído sempre um dos grandes cantores. E por fim, o Chico Buarque tem essa ligação que todo mundo conhece.

 Cristiane– Trazendo para o Rio Grande do Sul, a gente pode citar…

Beto– Tem um nome emblemático na relação do futebol com a música que é Lupicínio Rodrigues, que fez o hino do Grêmio. Com certeza é um dos hinos mais bonitos de todos os clubes brasileiros. Só ai já é um grande casamento, mas tem outros compositores do Rio Grande do Sul também cantaram futebol. Como, por exemplo, o Teixeirinha, que foi talvez o artista popular mais famoso da história da música popular do Rio Grande do sul, tem várias músicas falam de futebol. O cantor tem uma parte de desafios que fez com a Mary Terezinha, na década de 60, que ele canta o Grenal, canta outra canção que fala do clássico Palmeiras x Corinthians. Além de outra gravação, que fala sobre o futebol dos bichos, que muito interessante.

Cristiane– Qual o jogador que mostrou talento como compositor, cantor ou músico?

Beto– Alguns tentaram, mas a maioria foram tentativas frustrantes. O Pelé teve a sorte gravar duas músicas com a Elis Regina, um compacto simples chamado Tabelinha, em 1970. O Tite, jogador dos Santos da década de 50, foi um dos que melhor entrou neste campo da música, gravou um compacto com seis músicas, ele era bom cantor e tocava bem violão. Tite era contemporâneo do rei, incluvise foi ele quem ensinou o Pelé a tocar violão na concentração do Santos, eles jogaram juntos na década de 50. Mas sem dúvida o melhor jogador que deu na música, foi o Júnior do Flamengo. Que além de interpretar bem samba, foi o jogador que mais venceu. O Júnior chegou a vender mais de 650 mil cópias do compacto Voa Canarinho, em 1962, que acabou se tornando o hino da Seleção Brasileira na Copa da Espanha.

 Cristiane– E invertendo a situação, quais são os músicos que batem um bolão?

Beto– A maioria dos músicos jogam futebol, nem todos são bons. Mas tem muitos músicos famosos que são bons de bola. Fagner, Chico Buarque, Zé Cabaleiro, Evandro Mesquita, todos jogam bem. Moraes Moreira e os outros Novos Baianos, chegaram ao ponto de fazerem um campo com dimensões oficias da FIFA.

Cristiane– No livro, tu comparas os Novos Baianos com o carrossel holandês, a laranja mecânica da Copa de 74. Por quê?

Beto– A seleção da Holanda, em 1974, chamada de carrossel, tinha a característica de todos jogarem sem posição fixa, todos atacavam e defendiam ao mesmo tempo. E os Novos Baianos era mais ou menos essa filosofia, todos cantavam e faziam as composições. E, principalmente, ambos deram ares inovadores a suas áreas. O esquema do time holandês, considero a última grande revolução do futebol. E os Novos Baianos, também, foram revolucionários. O grupo uniu o rock com o samba. Além dos dois terem surgidos mais ou menos na época.

Cristiane – Tem algum outro país tão apaixonado por futebol e com tradição semelhante de música sobre o esporte?

Beto- Não. A relação do futebol com a música no Brasil é a maior, isso não tem nem dúvida. Não é a toa que são as duas grandes artes brasileiras, são os nossos dois maiores produtos de exportação. O brasileiro é bom de samba e futebol. Este é um selo que nós vendemos para o mundo inteiro. Mas, na Inglaterra a relação também muito forte. Lá é mais comum jogadores gravarem discos. Até pouco temo atrás a seleção inglesa, por exemplo, se reunia em época de Copa do Mundo para os jogadores gravarem a musica oficial do time. Na Alemanha, na Holanda e Espanha também acontece isso. Mas como no Brasil é impossível, uma coisa está ligada a outra de maneira única no universo.

Cristiane – Falar em futebol brasileiro não tem como deixar de citar, Pelé. Mencionado o Rei é quase impossível não compara-lo com Maradona. Quem recebeu mais homenagens musicais?

Beto- Maradona foi mais cantado, inclusive, no site Maradona 10 tem todas as canções inspiradas no boleiro. Embora Pelé represente muito para os brasileiros, o argentino é mais idolatrado. Mas, o rei também é homenageado de várias formas em grandes momentos da música brasileira.

Cristiane – A gente vê ai o Ronaldo mais uma vez dando a volta por cima. Com uma cadeira tão brilhante, mas, ao mesmo tempo recheada de altos e baixos. Qual seria a música do Fenômeno?  Seria a composta por Marcelo D2, Sou Ronaldo?

Beto- É, o Marcelo D2 fez essa que foi um estourou, e foi muito feliz. A letra dela diz tudo. Mas o Ronaldo vai mais cantado na música brasileira, depois dessa volta para o país, jogando no Corinthians. Na verdade o jogador foi para a Europa muito cedo, o brasileiro quase não viu o Ronaldo jogar bola. Agora que o povo brasileiro tá vendo ele jogar bola, vai receber mais homenagens musicais.

Cristiane – Na tua opinião, qual gol merece uma música?

Beto- Eu faria uma música para o gol que o André Catimba marcou na final em 1977, no Grenal que acabou a hegemonia de oito anos do colorado aqui no Rio Grande do Sul. Aquele gol que ele recebeu o passe do Iura e bateu de perna direita, meio enviesado. Quando foi comemorar sentiu a perna, uma distensão, e caiu de peito no chão, o que resultou na sua substituição. Aquele gol merecia uma música, com certeza.

 

 

 

Um novo rumo…

maio 4, 2009

BXK15135_meio-campo-estadio-beira-rio800A partir desta semana este nosso meio de contato vai trilhar por outros gramados. E como não é novidade para ninguém que esta futura jornalista que vos escreve tem grande apreço pelo esporte que é a paixão nacional, logo, o futebol será o tema pertinente no blog. Entrevistas, crônicas, textos e relatos de quem não só vivencia, contando o que rola dentro e fora das quatro linhas, mas também escreve a história do esporte, vão nos ajudar a entender um pouco mais do mundo da bola.

E para dar o ponta pé inicial cito dois trechos do livro Futebol ao sol e à Sombra, de Eduardo Galeano, que exemplificam bem como o autor define o esporte. Para o jornalista uruguaio, nada se sobrepõe ao encanto da “festa pagã”, que é o futebol. Onde o jogo se transforma em saga, desperta paixões, cria mitos, heróis, glórias e tragédias.

“- Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?
– Não explicaria – respondeu. – Daria uma bola para que ele jogasse. (Pergunta feita por um jornalista à teóloga alemã Dorothee Sölle)” (contra capa)

Mas como nem tudo são flores, há também o lado sombrio. Um mundo à parte, que envolve poderosíssimos interesses políticos e financeiros, segundo Galeano.

“O futebol profissional faz todo o possível para castrar essa energia de felicidade, mas ela sobrevive apesar de todos os pesares. É talvez por isso que o futebol não pode deixar de ser assombroso.(…) Por mais que os tecnocratas o programem até o mínimo detalhe, por muito que os poderosos o manipulem, o futebol continua querendo ser a arte do imprevisto. Onde menos se espera salta o impossível, o anão dá uma lição ao gigante, e o negro mirrado e cambaio faz de bobo o atleta esculpido na Grécia.” (p.204)

Páscoa, sem efeitos colaterais

abril 10, 2009
Divulgação

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Crise financeira?! Nem a turbulência econômica afeta o consumo dos ovos de Páscoa. Segundo a pesquisa realizada pela Fecomércio-RS (Federação do Comércio de Bens e de Serviços do RS), por meio do Ifep (Instituto Fecomércio de Pesquisa), 74,6% dos gaúchos já foram compras para o feriado de Páscoa. A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 21 de março, em cidades de 11 do estado: Gravataí, Caxias do Sul, Ijuí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa e Uruguaiana.

Os resultados apontam, ainda, que o chocolate é unanimidade dentre as opções de presentes, pois, é a escolha de 84,6% dos entrevistados, seguido por vestuário (16,7%), brinquedos (4,58%) e calçados (3,1%). Eterno símbolo do desejo, o chocolate nesta época invade as prateleiras dos mercados em forma de ovos de Páscoa, são muitos os ovos dispostos em diversas marcas e tamanhos. Mas a origem alguém se arisca a dizer qual é? Theobroma cacao. Pode até soar, mas este é o nome científico do nosso querido e tão desejado chocolate. Quem o batizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753. “Theobroma” vem do grego e significa “alimento dos deuses”.

O alimento já foi considerado afrodisíaco, pecado, remédio, sagrado, entre outros. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía. As origens do uso do chocolate na Páscoa são incertas. Alguns pesquisadores associam ao jejum de alimentos de origem origem animal durante a quaresma, sendo substituído então pelo chocolate. Também há a hipótese que estar ligada ao surgimento das indústrias e crescimento da indústria de chocolate na Europa, no século XIX. Independente de qual origem está correta, tornou-se tradição presentear com ovos de chocolate na Páscoa. Transformando a data num momento doce e prazeroso, que divide o lugar com os costumes religiosos, o mercado financeiro dos chocolates e do próprio.

Gostoso, altamente nutritivo, rico complemento e repositor de energia, o consumo excessivo de chocolate não é aconselhável. De acordo com a coordenadora do curso de Nutrição da Unisinos, Maísa Beltrane Pedroso, consumido em quantidades moderadas, o doce faz bem à saúde. “Não é que não possa comer chocolate diariamente. Pode, mas sempre cuidando a quantidade, o excesso é prejudicial. O ideal é comer no máximo de 30 a 40 gramas por dia, o que equivale a um bombom”, ressaltou. A nutricionista revelou, ainda, que o chocolate branco é mais calórico, por ser feito com manteiga de cacau e, não apenas com o cacau como o preto.

Cada um com sua crença e costumes, e muito chocolate (claro, claro, comer de forma moderada!), a todos uma Boa Páscoa!!!